Quando Paulo Autuori assumiu o Fortaleza, em julho, a herança de Thiago Carpini vinha marcada por um problema específico: o time não competia fora de casa. Dez jogos, duas vitórias, cinco derrotas, 30% de aproveitamento. Não é exagero dizer que esse número, sozinho, explicava boa parte da distância do Tricolor em relação ao G4.
A leitura tática de Autuori começou por aí. Não foi uma revolução de sistema — o Fortaleza seguiu com a base de sempre —, mas uma reorganização de prioridades: solidez defensiva primeiro, criação depois. Nos primeiros jogos sob o novo comando, o time passou a sofrer menos gols por partida, e isso não é acidente. É opção.
O empate sem gols contra o Juventude, em agosto, ilustra bem o método. O próprio treinador resumiu a lógica em entrevista: o time subiu a marcação no segundo tempo e passou a pressionar a saída de bola do adversário, em vez de recuar e esperar. É um ajuste simples, mas que muda o jogo — ao invés de defender o resultado, o Fortaleza passou a defender jogando mais perto do campo adversário.
O resultado apareceu nos números: com Autuori, o aproveitamento como visitante saltou de 30% para mais de 66%, com quatro gols marcados e apenas um sofrido em quatro jogos. O time que era o quinto pior visitante da competição virou o oitavo melhor. E a vitória mais simbólica veio contra o próprio líder, o Criciúma, fora de casa, por 2 a 0 — um jogo em que, segundo o treinador, o Fortaleza teve controle total da partida.
O que isso mostra, taticamente, é uma equipe que aprendeu a jogar sem precisar da pressão do Castelão para se organizar. Autuori não trouxe um esquema novo — trouxe disciplina posicional e paciência para atacar apenas quando a bola está protegida. Para um time que briga por acesso, isso vale mais do que qualquer contratação de peso.

